Um (doce) romance de sabores e afectos.
Edição/reimpressão: 2000
Páginas: 264
Editor: Edições Asa
Sinopse
Vianne é uma mãe solteira que chega à pequena aldeia, com a sua filha, e ali abre uma chocolataria. Os capítulos alternados, ora com a voz de Vianne, ora com a do padre Reynaud (ao contrário do filme, no livro é este que quer fechar esta loja das tentações), criam uma grande tensão dramática.
" "Todos nós somos divididos interiormente" diz Joanne. " O Padre Reynaud é uma espécie de anoréctico. Recusa-se a comer e tortura-se a si próprio ficando horas em frente à montra do talho. É repressivo, a sua severidade para com os outros baseia-se no facto de se odiar profundamente." (citada pela revista (livros), nº 19)
É contra este pensamento que "Chocolate" se insurge, defendendo os pequenos prazeres da vida, neste caso os gastronómicos, e o direito à diferença, numa pequena aldeia, fechada ao que vem de fora, (também os ciganos, que ali aparecem, com as suas músicas e outro tipo de vida, são votados ao ostracismo), e que, de certa forma, põe em causa o poder instalado.
A minha opinião:
Confesso que esperava um pouco mais desta leitura, talvez por ter visto o filme há já alguns anos e o pouco que me lembro é que adorei =P... por isso tinha grande expectativa.
Não é que não tenha gostado do livro, longe disso, mas esperava mais dele talvez em relação ao enredo, que me pareceu um pouco linear e de certa forma expectável.
Aquilo que, com toda a certeza, não me decepcionou foram as magníficas descrições da loja de Vivian, La Céleste Praline, e do seu delicioso contéudo. Os sabores e odores descritos deixaram-me de água na boca. Quase me sentia saborear junto com os clientes cada chocolate quente, cada licor, cada bombom, cada biscoito, hummm...
"Enchi um copo para mim, com licor noisette e pedacinhos de avelã. O aroma era forte e inebriante, como madeira empilhada ao sol crepuscular do Outono. Guillaume comeu a sua religeuse com um prazer minucioso, depenicando as migalhas com o indicador húmido."
No que respeita a personagens preferidas destaco Armande Voizin, uma velhinha muito peculiar, que me conquistou com o seu feitio teimoso e com a sua "visão" especial...
Também gostei, claro, de Vivian e da sua relação com o chocolate, bem como de toda a aura em sua volta, de um clima subtilmente mágico.
A história, além da tentação da gula =), faz também uma abordagem ao poder da igreja na moldagem das mentalidades e ao preconceito e discriminação, muitas vezes daí decorrentes, sobre todos os que se considerassem não seguir as "normas" da comunidade.
Em suma, considero que foi uma leitura agradável e de apelar à gula! =P
Espero em breve ler os dois volumes seguintes desta trilogia, Sapatos de Rebuçado e O Aroma das Especiarias. E, fiquei também curiosa, em rever o filme e fazer a comparação.
Classificação: 3,5 Bom!